“Não tenho nada a declarar além de minha genialidade” disse uma vez Wilde aos oficiais da alfândega, entretanto a imagem conhecida de Wilde como um homem de conquistas pessoais sem esforços está longe da verdade. Nascido em 1854, em Dublin, na Irlanda, e filho de uma poetisa nacionalista, estudou no Trinity College, antes de se transferir para o Magdalen College em Oxford. Foi em Oxford que ele se aliou ao movimento artístico do Esteticismo - a Arte pela Arte - e adotou suas características únicas no vestir e no se comportar (baseados em uma fantasia que ele usou em um baile de formatura). Casado em 1884 com Constance Lloyd, teve dois filhos a quem Wilde se devotava de corpo e alma e cujo afastamento por decisão de Constance após sua prisão foi devastador. Mesmo após o casamento, manteve-se muito conhecido e requisitados em todas as rodas literárias, honrado com todos os compromissos aos quais era convidado. Tornou-se realmente uma pessoa indispensável e comentada aos eventos sociais, espalhando glamour e comentários por onde passava. Possuía uma aparência que atraia os olhares: vestia-se elegante e extravagantemente bem, com roupas e adereços que, segundo suas próprias palavras, sempre refletiam o que de mais íntimo existia dentro dele. Embora bem conhecido nos círculos sociais, Wilde recebeu pouco reconhecimento por sua obra durante muitos anos até a estréia de “O Leque de Lady Wildermere” que consolidou sua fama literária a partir de 1892. O simulacro, o homem e seu retrato eram a maneira da qual o autor se utilizava para relacionar-se com o mundo. Mas o período de sucesso foi extremamente curto. Na noite de estréia de sua obra-prima “A Importância de Ser Honesto” em 1895, o marquês de Queensberry, pai de Lorde Douglas com quem Wilde estava se relacionando, iniciou uma campanha pública contra o autor. Após uma má-sucedida tentativa de processo nos tribunais contra o Marquês, Wilde acabaria sendo condenado a dois anos de trabalhos forçados por violação da moral, cumprindo parte da pena no famoso Cárcere de Reading. Ao ser libertado, Wilde se auto-exilou em França aonde viria morrer na completa obscuridade em 1900, cercado por poucos amigos ainda fiéis. |