Henry René Albert Guy de Maupassant (5 de agosto de 1850 – 6 de julho de 1893) foi um escritor, cronista, dramaturgo e poeta francês com predileção para situações psicológicas e de crítica social com temática naturalista, contemporâneo de Gustave Flaubert, Émile Zola e Ivan Turgenev.
Subsiste uma controvérsia acerca do lugar exato de seu nascimento, a partir de uma biografia publicada em 1926, de autoria de Georges Normandy, onde segundo uma primeira hipótese teria nascido em Fécamp, na região de Bout-Menteux, em 5 de agosto de 1850. Outra hipótese afirma que teria nascido no castelo de Miromesnil, em Tourville-sur-Arques, a oito quilômetros de Dieppe, como consta em seus registros de nascimento, sendo este local o mais aceito atualmente como o correto.
Passou sua juventude em Étretat, em companhia de sua mãe, e posteriormente em Yvetot e Ruan. Em 1867, conhece o escritor Gustave Flaubert, cuja amizade manteria até a morte deste. Flaubert o tomou como protegido, indicando-lhe alguns períodicos franceses e apresentando-o a Émile Zola e Ivan Turgenev, expoentes do Naturalismo francês da segunda metade do século 19.
Após a derrota francesa e a queda do imperador Napoleão III, Maupassant se muda para Paris, onde trabalha como funcionário público em vários ministérios, até a publicação de sua primeira grande obra em 1880, “Bola de Sebo, de características fortemente realista, segundo as orientações de Flaubert, como parte integrante de uma coletânea preparada por Émile Zola, “As Vigílias de Medan”.
Esta publicação permitiu a Maupassant ganhar certa notoriedade no mundo literário, ao logo da década de 1880, o que lhe permitiu elaborar mais de trezentos contos e crônicas; seus temas favoritos são os camponeses normandos, a pequena burguesia, a mediocridade do funcionalismo público, a Guerra Franco-prusiana de 1870, as aventuras amorosas e as alucinações produzidas pela loucura. É ao longo desta única década de produção artística que o autor elaborou toda sua extensão bibliografia.
A década de 1880 foi o período mais fecundo da vida literária de Maupassant: ele publica seis romances, mais de trezentas novelas e contos e diversos relatos de viagens. Tornado célebre pela publicação de sua primeira novela, ele trabalha metodicamente e produz aproximadamente quatro volumes ao ano. O senso comercial aliado ao seu talento rapidamente o conduziu à riqueza.
Em 1881, ele publicou seu primeiro volume de contos sob o título “La Maison Tellier”, atingindo a marca de doze edições em dois anos. Em 1883, publica seu primeiro romance, “Uma Vida”, tornando-se um dos grandes best-sellers do ano, vendendo 25 mil exemplares em um ano. O sucesso dessa obra foi tamanho que o grande escritor russo Leon Tolstoi em pessoa chegou a declarar que o romance era a maior obra-prima da literatura francesa depois d’Os Miseráveis, de Victor Hugo.
É em seus romances que Guy de Maupassant concentra todas as suas observações dispersas em seus contos. Seu segundo romance, “Bel-Ami”, lançado em 1885, atinge 37 tiragens em apenas quatro meses. A repercussão da história tornou Maupassant um dos maiores intelectuais de sua época, levando-o a declarar, de modo satírico, que “Bel-Ami foi eu!”. Suas obras são marcadas por um estilo próprio, descritivo, naturalista e realista. Sua aversão natural à sociedade, aliada à sua saúde frágil, é retratada por meio da solidão e da meditação. Suas longas viagens à Argélia, Itália, Inglaterra e às regiões da Córsega, da Bretanha e da Sicília, produzem relatos de viagens esplendorosos, realizados sobretudo a bordo do seu iate particular, o “Bel-Ami”, a partir de 1885.
Seu sucesso alcançado abriu as portas do mundo literário francês, permitindo que este convivesse com as grandes celebridades de seus tempo, como os escritores Alexandre Dumas Filho e Zola e o filósofo Hippolyte Adolphe Taine.
Maupassant destacou-se também pelos seus contos de terror, gênero no qual é reconhecido como sendo um dos grandes mestres do século 19, ao lado de Edgar Allan Poe. Nesses contos, narrados com um estilo ágil e nervoso, repleto de exclamações e símbolos de interrogações, encontram-se as preocupações do escritor com a obsessiva presença da morte e do sobrenatural.
Escreveu também sob vários pseudônimos: Joseph Prunier em 1875, Guy de Valmont em 1878, Maufrigneuse entre os anos de 1881 e 1885. Menos conhecida é sua faceta como cronista de atualidades nos grandes períodicos da época, como “Le Gaulois”, “Gil Blas” e “Le Figaro”, onde escreveu numerosas crônicas sobre diversos temas: literatura, política, sociedade e etc.
Atacado por graves problemas nervosos, sintomas de demência e pânico hereditários, refletidos em vários de seus contos, além das consequências oriundas da sífilis, tenta pela primeira vez o suicídio em janeiro de 1892. Após quatro tentativas é internado em uma clínica parisiense, onde viria a falecer um ano depois. |